REFLETINDO
A voz dele ecoava em sua cabeça compassadamente e ritmada como uma bateria nos dias quentes de verão.
Ela sentia o suor correr em seu corpo num misto de prazer e dor. Seu corpo
entorpecia de desejos nas lembranças sonoras. Sentia-se envergonhada e com
medo, pois sabia que ela só era mortal até a segunda taça de vinho...Ele tinha
a virilidade de um homem misturada com a doçura de um menino. Seu corpo branco
desenhava-se num lençol de seda vermelha e o fruto do seu desejo se misturava
entre a realidade e a fantasia. Estava na idade em que suas entranhas pegavam
fogo só em imaginar as mãos dele enlaçando-a pela cintura. Imaginava seu
membro entrando e saindo dela, os braços bem torneados e bronzeados pelo sol sustentando
seu peso. Ouvia o gemer dele em pleno gozo e entrava em transe.
Os dias se seguiam neste misto de transe e realidade. Andava pelos
corredores do hospital e sua memória sonora a enlouquecia. Conversava com um e com outro na tentativa de deixar aquela imagem dele de lado, mostrando-lhe
o que fazer em cada metro daquele percurso. Ele, ele, ele com seus cabelos
levemente grisalhos, mãos que ela desejava a cada dia em seu corpo. Será que um
dia estariam juntos? Ela o desejava desde a primeira aula, desejava enlouquecer
de prazer nos seus braços tornado-se um só. Imagiva sua boca deslizando por
suas costas. A barba por fazer a levaria no auge de um prazer. Queria sentir o
gozo percorrer seu corpo e num frêmito morder sua boca até sangrar.

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