E ele chegou... Sua boca percorreu as costas dela suavemente... Seus seios foram tocados sutilmente e seu sexo umedeceu-se. Ela sentiu seu corpo ser despido e sentiu um medo atônito. Quis sair daquela situação, mas não teve força. Sua respiração tornou-se ofegante. Ouvia múrmurios sem decifrá-los... O calor tomava conta do ambiente e o cheiro de sabonete vagabundo lhe causou náuseas...
Ela não teve forças de reagir e deixou que sua fera interna se deleitasse do prazer como se estivesse no cio. O corpo dele tinha o aroma frutal e seu hálito de menta refrescante beijou sua boca e a penetrou suavemente... O enjôo se dissipou e deu lugar a um gêmido de dor e de prazer ao mesmo tempo. O sangue manchou o lençol... Ele lentamente levantou-se, vestiu suas roupas e saiu. Ela nunca mais o encontrou. Em sua mente a marca de um rosto que não decifrara e em seu corpo a marca que a fez mulher para sempre.
Ela sabe que as marcas impressas na alma não desaparecem, mas aquela deixada em seu corpo também nunca desaparecerá, pois ela ri, chora e a chama cotidianamente de mãe... Sim ela optou em dar a luz ao pequeno ser que num momento de devaneio deixou-se levar pela força do instinto. Hoje ao sentar-se na varanda de sua casa pode ouvir ao longe o alarido de crianças que de uma forma ou de outra são seus. "Ei vovó tem bolinhos de chuva?" É claro que tem... Os pensamentos dela tomam forma de sorrisos marotos e travessos e o doce rosto de seu menino-homem surge logo atrás. Neste momento ela tem a certeza de que suas dores não foram em vão.

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